sábado, 12 de agosto de 2017

Ser o melhor possível e aceitar o resto

Por Peter Gyulay.


Somos criaturas nobres, criadas à imagem de Deus, mas não somos perfeitos. A nossa nobreza está latente dentro de nós, à espera de ser actualizada.

Nas palavras de Bahá'u'lláh:
Ó filho de espírito! Nobre, eu te criei, porém tu tens-te degradado. Ergue-te, pois, para aquilo que que foste criado. (Baha'u'llah, As Palávras Ocultas, #22, do árabe)

Considerai o homem como uma mina rica em jóias de inestimável valor. A educação, só por si, pode fazê-la revelar os seus tesouros e habilitar a humanidade a tirar dela algum benefício (SEB, CXXII)
Educação - educação divina - permite-nos beneficiar das jóias que estão dentro de nós próprios. Ao aplicar os ensinamentos dos mensageiros de Deus, podemos desvendar as virtudes escondidas latentes nas nossas mentes, corações e almas.

Isto não é uma tarefa fácil - na verdade, constitui a principal batalha que enfrentamos na vida. Às vezes, a tarefa parece assustadora, mas se persistirmos, podemos melhorar a passos largos; podemos purificar-nos e aproximar-nos de Deus. Este trabalho espiritual básico é importante para nós próprios, e também tem um impacto significativo sobre os outros. Desta forma, os ensinamentos Bahá’ís exortam-nos a:
Decidi-vos a alcançar a vitória sobre vós próprios, para que, por ventura, toda a terra se possa libertar e santificar da sua sujeição aos deuses das suas fantasias fúteis. (SEB, XLIII)
Somos chamados a ser o melhor que pudermos ser, para que as nossas vidas possam influenciar os outros. Esta é uma tarefa nobre e, por vezes, desconcertante, porque é fácil sentirmo-nos incapazes de mudar e até fugimos da responsabilidade de levar uma vida nobre para bem da humanidade.

Tomar a iniciativa, transformar-nos exige uma grande fé, vontade e determinação. Precisamos de fé em nós próprios e de um poder superior que nos dê força para lutar com a nossa natureza inferior. Mas também precisamos da força de vontade para lutar dia-a-dia nesta batalha. Por vezes, quando nos sentimos ligados ao espírito, o amor flui de dentro de nós e a generosidade abunda. Mas no calor do momento, quando emergem sentimentos de ódio, e as tentações surgem sorrateiramente, precisamos de uma vigilância interna, que exige um esforço constante:
Apenas se exercerdes o esforço, será certo que estes esplendores brilharão, essas nuvens de misericórdia derramarão as suas chuvas, esses ventos vivificadores surgirão e soprarão, este cheiro de almíscar doce espalhar-se-á por toda parte. (Selections From the Writings of Abdu’l-Baha, p. 245)
É claro que ninguém consegue ser perfeito, e mesmo quando tentamos fazer (e ser) o nosso melhor, falhamos e vacilamos. Agir em contradição com os padrões que queremos seguir pode muitas vezes levar-nos a não nos perdoarmos a nós próprios. Da mesma forma, também nos pode levar a fazer juízos quando projectamos esses padrões sobre os outros. Porque todos nós fazemos o nosso melhor para ter uma vida nobre, qualquer sinal de imperfeição nos outros pode tornar-se ainda mais visível e nítida.

Bahá'u'lláh adverte-nos contra isso, pedindo-nos que nos foquemos nas nossas próprias falhas:
Como podes esquecer as tuas próprias falhas e ocupar-te com as falhas dos outros? (Palavras Ocultas, #26, do árabe)
Apesar de vivermos todos no mesmo mundo, apenas podemos viver na dimensão dos nossos próprios seres individuais. Todos nós podemos esforçar-nos para, juntos, construir um novo mundo e embarcar numa busca colectiva da verdade; mas para isso, temos que viver de acordo com nossa própria inteligência e consciência. Só podemos viver as nossas próprias vidas, não a vida dos outros. Então, quando julgamos outra pessoa, estamos realmente a infringir o seu mundo interior, o direito de viver a vida que ela escolheu.

Mas é complicado quando estamos a fazer o nosso melhor para nos purificarmos, e percebemos que somos o contrário dos nossos próprios ideais. De certa forma, precisamos de um padrão duplo: um para nós próprios e um para os outros. Precisamos ser mais vigilantes com nós próprios e tolerantes com os outros. Temos que nos lembrar constantemente que as "falhas" que vemos nos outros estão fora do nosso domínio e da nossa identidade. Não são algo para julgar; são algo para aprender e ser usado na nossa determinação de nos conquistarmos a nós próprios.

A única pessoa que podemos realmente conhecer é o nosso próprio ser, e é por isso que não podemos julgar os outros. Não podemos controlar o seu comportamento; só podemos controlar o nosso. Não podemos escolher os seus ideais, apenas os nossos.

Dito isto, também precisamos ter cuidado com a maneira como nos julgamos a nós próprios. O juízo interno não significa condenação - implica uma avaliação sincera da nossa situação e acções espirituais. Quando nos avaliamos todos os dias, reflectimos sobre o nosso ser e as nossas acções em relação aos ideais que pretendemos personificar, da mesma forma que avaliamos o nosso progresso rumo a um objectivo prático, como por exemplo, melhorar nosso nível de aptidão física.

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Texto original: Doing Your Best and Accepting the Rest (www.bahaiteachings.org)

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Peter Gyulay é escritor, músico e educador da Austrália. Interessa-se pela exploração dos aspectos mais profundos da vida. Tem um site com a sua escrita e música e um blog chamado The nooks and crannies of existence.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Camboja: Preparativos finais para inauguração do templo de Battambang


Dentro de três semanas, a população de Battambang celebrará a dedicação da Casa de Adoração Bahá’í local. Novas imagens de vídeo revelam a evolução dos trabalhos e ressaltam a beleza do Templo.

O passo final na construção será a colocação de uma placa caligráfica com a invocação "Ó Glória do Todo-Glorioso", referida como o Maior Nome, dentro da cúpula do Templo, planeada para a próxima semana.

A dedicação, que terá lugar no dia 1 de Setembro de 2017, será marcada por uma conferência de dois dias que reunirá mais de 2000 pessoas de Battambang e de outras regiões do Camboja. Também estarão presentes vários dignitários cambojanos, assim como representantes das comunidades Bahá'ís no Sudeste Asiático.

O Templo é um assunto frequente de conversa entre a população local. Mesmo antes da sua conclusão, galvanizou a acção para o melhoramento da comunidade e reuniu os vizinhos em oração e confraternização.

Em uma carta datada de 18 de Dezembro de 2014, a Casa Universal de Justiça explicou que uma Casa de Adoração Bahá'í é um "centro colectivo da sociedade para promover o afecto cordial" e "apresenta-se como um lugar de culto universal aberto a todos os habitantes de um localidade independentemente da sua filiação religiosa, origem, etnia ou género e um refúgio para a contemplação mais profunda sobre a realidade espiritual e as questões fundamentais da vida, incluindo a responsabilidade individual e colectiva no melhoramento da sociedade ".

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FONTE: Preparations for Temple inauguration accelerate (BWNS - Inclui vídeo com imagens aéreas)

sábado, 5 de agosto de 2017

É tempo de acabar com equívocos sobre Maomé

Por Rodney Richards.


No Ocidente, compreendemos mal Maomé e o Islão durante séculos. Agora é o momento de acabar com isso e começar a perceber o que faz do Islão uma grande Fé.

O Islão surgiu na península arábica em 610 EC, tendo desencadeado conflitos e guerras tribais e internas, e por fim tornou-se uma religião mundial com 1,8 mil milhões de seguidores.

Quando Maomé revelou o Islão, o Cristianismo era a religião de estado no Império Romano, na Europa e no Médio-Oriente. Os cristãos daquela época tinham a crença infundada de que Cristo - que eles reverenciavam como o Filho de Deus - era o último dos profetas.

Esta interpretação incorrecta, esta percepção temporal sobre a condição de Cristo - em oposição à Sua ascendência e domínio espiritual - tem sido a causa de indescritível derramamento de sangue. Essa ignorância e má interpretação fomentaram oito cruzadas cristãs, começando em 1095 EC, durante quase 200 anos, provocando a morte de milhões de pessoas.

Estas guerras religiosas e incompreensões continuam a ser o principal obstáculo para a verdadeira reconciliação entre as religiões Cristã e Muçulmana.

A base, quer do Cristianismo quer do Islão, é aproximar as pessoas de Deus, dando-lhes uma ideia mais ampla e uma compreensão mais completa sobre a vontade e o propósito de Deus para a humanidade.

Maomé disse que ambas as comunidades Judaica e Cristã tinham que ser protegidas pelos Muçulmanos, apesar de qualquer animosidade que pudessem ter em relação ao Islão. Assim, tal como Cristo validou o estatuto de Moisés, também Maomé validou os estatutos de Abraão, Moisés e Cristo.

Nos ensinamentos Bahá’ís, isto chama-se de revelação progressiva. No fundo, significa que todos os profetas e fundadores das grandes religiões do mundo vieram da mesma fonte e ensinaram as mesmas verdades. Embora as leis e regras externas de uma religião possam adaptar-se às necessidades das pessoas no momento em que foram reveladas, uma revelação religiosa posterior exige novas leis e regras que sejam adequadas a um tempo mais moderno. As leis espirituais também progridem; passámos de “amar o próprio irmão como a si mesmo” no tempo de Cristo, para “preferir o próximo em vez de preferir a si próprio” no tempo de Maomé e Bahá'u'lláh.

O facto de as religiões lutarem não é devido à falta de integridade e unidade das religiões, mas sim à interpretação incorrecta e ao fanatismo de alguns dos seus líderes e dos seus seguidores. Os Bahá’ís acreditam que toda religião vem de Deus e foi dada à humanidade quando esta mais precisava da orientação de Deus - mas também que as religiões podem entrar em declínio dogmático, não representando os verdadeiros ensinamentos dos seus fundadores. Quando esse declínio ocorre - dizem os ensinamentos Bahá’ís - aparece um novo Mensageiro.

Este conceito de revelação progressiva é claro como o sol do meio-dia: todo mensageiro ou profeta falou sobre o seu regresso ou sobre o surgimento do próximo mensageiro de Deus. Então, por que rejeitamos e perseguimos esse mensageiro quando Ele aparece? Porque estamos apegados (ou presos) ao nosso sacerdote ou imã favorito, ao nosso templo, mesquita ou igreja favorita; porque estamos apegados à maneira como adoramos e às palavras nos nossos livros e ao que pensamos ser o seu significado. Estamos tão apegados a isso que esquecemos que o nosso propósito na vida - enquanto seres espirituais - é amar a Deus e a Sua criação. E esquecemos que a melhor maneira de mostrar que amamos a Deus é amando toda a humanidade.

Os nomes das religiões - Cristianismo e Islão - são apenas rótulos que representam um conjunto de valores, moral e modos de pensamento. Vamos denegrir e insultar pessoas boas só porque não professam a mesma fé que nós? Não. Esperamos poder recebê-las e ajudá-las, independentemente do seu rótulo (ou não-rótulo). Isso é tudo o que Deus quer de nós: amar e cuidar uns dos outros. Essa é a verdadeira mensagem de toda a verdadeira Fé.

Além disso, com a revelação progressiva, se realmente acreditamos no que o nosso Mensageiro nos disse - que aparecerá um Mensageiro maior - então, como podemos manter esses rótulos falsos? O apego a esses rótulos impediu verdadeiramente a humanidade de apreciar plenamente o que cada novo mensageiro de Deus nos trouxe, quando a paz e a tranquilidade poderiam ter sido implementadas.

Está na hora de nos livrarmos desses rótulos antiquados. Se a religião é essencialmente uma só, como afirmam os ensinamentos Bahá’ís, podemos começar a ver toda a religião como:
... diferentes fases na história eterna e evolução constante da religião única, Divina e indivisível, da qual [a Fé Baha’i] constitui apenas uma parte integrante. Não procura obscurecer as suas origens divinas, nem anular a magnitude admitida das suas realizações colossais. Não pode apoiar nenhuma tentativa que procure distorcer as suas características ou esconder as verdades que transmitem. Os seus ensinamentos não se desviam minimamente das verdades que consagram, nem o peso da sua mensagem prejudica uma vírgula da influência que exercem ou da lealdade que inspiram. Longe de pretender derrubar as fundações espirituais dos sistemas religiosos do mundo, o seu propósito declarado, inalterável, é ampliar as suas bases, reafirmar os seus fundamentos, conciliar os seus objectivos, revigorar a sua vida, demonstrar a sua unicidade, restaurar a pureza prístina dos seus ensinamentos, coordenar as suas funções e auxiliar na realização das suas mais elevadas aspirações. (Shoghi Effendi, A Ordem Mundial de Baha'u'llah, p. 114)
Se todos os Cristãos aceitassem Maomé como um mensageiro de Deus, isso em nada diminuiria ou rebaixaria o estatuto de Cristo. O mesmo conceito se aplica do Islão em relação aos Bahá'ís e dos Bahá’ís em relação ao próximo mensageiro de Deus e à nova revelação.

Então pergunto: vale a pena lutar, ou magoar alguém por causa do apego a um rótulo? Espero que a sua resposta seja a mesma que a minha: não!

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Texto original: Time to Stop Misunderstanding Muhammad (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um encontro com Bahá'u'lláh

Uma descrição de um encontro com Bahá'u'lláh foi publicada num importante jornal francês pelo jornalista libanês druso Amír Amín Arslan:
Tive a honra de captar um vislumbre daquele que é a encarnação da "Palavra de Deus" aos olhos dos persas, durante uma viagem que fiz a S. João do Acre ['Akká]. Estava ansioso por visitar "Abbás Effendi, o filho mais velho da "Palavra", que era responsável pelas relações externas da comunidade... Naturalmente, solicitei-lhe a honra de uma audiência com o seu santo pai. Ele explicou-me, de uma maneira muito simpática, que não era costume da Divindade admitir mortais incrédulos na sua presença. Mas como eu insisti, ele prometeu fazer todos os esforços possíveis para realizar o meu desejo.

... Tive de contentar-me com um vislumbre do ilustre Bahá'u'lláh no momento em que ele saiu para fazer a sua caminhada diária... durante a tarde, um momento em que ele poderia evitar melhor a atenção indiscreta dos estranhos. Mas 'Abbás Effendi colocou-me cuidadosamente atrás de uma parte da parede, ao longo do seu caminho, de tal maneira que eu poderia facilmente contemplá-lo durante um curto período de tempo... A sua aparência [de Bahá'u'lláh] atingiu a minha imaginação de tal maneira que não posso descrevê-lo melhor do que evocando a imagem de Deus Pai, comandando, na sua majestade, os elementos da natureza, no meio das nuvens.
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FONTE: The Bábí and Bahá’í Religions, Momen, pp. 224–25.

sábado, 29 de julho de 2017

Aborto, Direito à Vida, Direito da Mulher a Escolher.

Por John Hatcher.


Quando é que um ser humano se torna humano?

Apesar de não apreciar as controvérsias em si, sinto-me atraído por assuntos - o sentido da vida, a teoria do big bang, física de partículas e a morte - que levam, necessariamente, a diferenças de opinião. Infelizmente, alguns deles são expressados de forma litigiosa, com veemência, e, às vezes, com armas de destruição em massa (como o sistema de educação pública americano). Por agora, prefiro que usar as armas do discurso lógico relativamente perfeito.

Quando consideramos a natureza humana, especialmente a fase dos primórdios do nosso desenvolvimento, lançamo-nos, inevitavelmente no pântano revolto de questões profundamente ideológicas e teológicas: aborto versus o direito à vida; o direito à privacidade versus o bem público; o direito de ter o controlo sobre o próprio corpo versus a obrigação da sociedade para proteger os direitos das pessoas incapazes de se proteger; eutanásia versus leis contra o suicídio. Estas são apenas algumas das fortes questões de vida ou morte que estamos constantemente a debater.

Foquemo-nos nas implicações lógicas desta questão única: o direito a abortar um feto que esteja deformado ou seja mentalmente deficiente. A extensão lógica dessa questão leva-nos à possibilidade do direito a abortar um feto de sexo, raça ou deficiência indesejada ou com quaisquer outras características que estamos a aprender gradualmente a detectar de acordo com a amniocentese e outros testes pré-natal.

Actualmente, nos EUA, os direitos de uma mulher a decidir o destino de um embrião (as primeiras oito semanas) ou feto (mais de oito semanas) ou filho (feto viável) são determinados pelas leis do estado em que a mulher reside. Na maior parte, os direitos do nascituro evoluíram nos Estados Unidos desde a famosa decisão Roe v. Wade pelo Supremo Tribunal dos EUA - 22 de Janeiro de 1973 - declarando que uma mulher pode interromper a sua gravidez a qualquer momento, até que "ao ponto em que o feto se torna «viável» ". Decidida com base no direito constitucional à privacidade (parte da cláusula do devido processo legal da Décima Quarta Emenda), esta decisão afirma que aquilo que uma mulher faz com seu próprio corpo é apenas da sua conta, até que o seu corpo contenha outro corpo humano "viável", momento em que o feto assume direitos próprios.

Como qualquer pessoa não totalmente alheia à realidade da sociedade contemporânea sabe, este decisão com trinta e cinco anos de idade tem sido, desde o seu início, altamente controversa e divisiva devido aos problemas óbvios decorrentes da sua linguagem. Mas o problema na linguagem da decisão deriva do problema inerente às questões em consideração - não é quando começa a vida, mas em que momento pode uma entidade viva que está destinada a tornar-se um ser humano maduro, assumir os atributos, capacidades, e também os direitos de um ser humano.

Duas palavras na decisão que, obviamente, se destacam em particular, são "ponto" e "viável". A palavra ponto é particularmente inadequada porque o tempo e o desenvolvimento humano não param nesta vida. Não há pausa quando chegarmos a estas etapas que estamos a discutir. Uma vez posta em movimento por meio de fertilização ou de concepção, não há hesitações, mesmo que existam etapas explícitas, onde durante o desenvolvimento, também podemos mostrar o quanto progredimos.

Em suma, a ideia de que existe um "ponto" no processo de gestação (além da concepção) pressupõe algum evento biológico específico ou transformação de um estado ou etapa para outro. Mesmo a distinção entre os termos embrião e feto é apenas uma invenção útil para fins de discussão, e não um ponto real de alteração biológica, o que acontece de forma contínua.

Obviamente, a segunda palavra problemática na linguagem da decisão histórica Roe v. Wade é “viável”, uma palavra que o próprio Supremo Tribunal pensou necessário colocar entre aspas para indicar a necessidade de definição e clarificação. De acordo com o tribunal, o termo viável pretendia designar o momento a partir do qual um feto pode sobreviver fora do útero; em 1973, eram cerca de sete meses.

Aqui temos espaço para ainda mais ambiguidade. Com os rápidos avanços na ciência médica, este "ponto" de viabilidade já evoluiu para um período de tempo variável, que actualmente pode situar-se entre as vinte e duas semanas (menos de seis meses) e 500 gramas de peso, até ao padrão de vinte e oito semanas (sete meses) e mais de um quilograma. Por outras palavras, esse “ponto” tem agora um mês e meio de comprimento. Numa extremidade é um procedimento médico, enquanto no outro, o mesmo procedimento é o crime hediondo de infanticídio.

Um terceiro dilema, aliado e derivado deste intervalo na viabilidade de um determinado feto também é relativamente óbvio: o sistema legal, associado à profissão médica, está a definir em que momento surgem características humanas com base nos parâmetros de uma tecnologia que muda quase diariamente. Simplificando, em vez de definir os direitos humanos de forma eficaz, a decisão do tribunal, na realidade, obscurece a distinção útil entre o direito da mulher a um procedimento médico comum e o crime punível de assassinar uma criança por nascer.

Como é que a Fé Bahá'í lida com esta questão moral espinhosa? Os Bahá’ís acreditam que a alma humana começa a existir no momento da concepção; que devemos abster-nos de matar e, portanto, de praticar o aborto; mas que, por outro lado, o aborto pode, por vezes, ser medicamente justificado. Por essas razões, os ensinamentos Bahá’ís deixam essas decisões difíceis para os pais e o médico:
... Toda a questão [do aborto] é deixada para as consciências de todos os interessados, que devem pesar cuidadosamente o aconselhamento médico sobre o caso à luz da orientação geral dada nos Ensinamentos [Bahá’ís]. (A Casa Universal de Justiça)
Outro aspecto da dificuldade e complexidade em definir a "viabilidade" de um ser humano é que a decisão do tribunal, nunca sugere viabilidade sem ajuda externa ou de ajuda artificial. Na verdade, de todos os mamíferos, o ser humano é, sem dúvida, o que tem a menor viabilidade, sem ajuda externa ou ajuda artificial. Se é verdade que alguns mamíferos complexos podem treinar e proteger a sua descendência durante meses ou anos, poder-se-ia argumentar que o ser humano não alcança a verdadeira viabilidade, pelo menos, algum tipo de autonomia, até que possa responder com convicção à pergunta "você gostaria de batatas fritas com quê?" E mesmo assim, devemos presumir que a criança foi suficientemente bem treinada para ter a disciplina de viver com um salário mínimo. Também devemos presumir que, se a criança sobreviver após os quarenta anos de idade, ela não come qualquer um dos produtos que produto que se vendem através de uma janela de drive-through.

Em conclusão: nem a ciência, nem os tribunais definiram, nem jamais serão capazes de definir, qualquer ponto, além da concepção, em que um ser humano se torna distintivamente humano e, com isso, merecedor dos direitos civis humanos. Quando todo o processo é posto em movimento com a fertilização ou a concepção, não há nenhuma pausa, nenhuma transformação súbita, nenhum momento ou vários momentos em que esse crescimento evolutivo seja outra coisa que não um ser humano no processo de desenvolvimento, um processo que atinge maturidade física perto dos quinze anos de idade e o seu auge com cerca de vinte e um ou mais.

Podemos simplesmente concluir que o debate sobre o assunto vai continuar até que surja algum consenso sobre quando é que um ser humano se torna um ser humano. (...)

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Texto original: Abortion, the Right to Life, and a Woman’s Right to Choose (www.bahaiteachings.org)

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John S. Hatcher é formado em Literatura Inglesa pela Universidade de Vanderbilt e Doutorado em Literatura Inglesa pela Universidade da Georgia (EUA). É professor Emérito na Universidade de South Florida (Tampa, EUA). É também conhecido como poeta, palestrante e autor de numerosos livros sobre literatura, filosofia e teologia e escrituras Baha’is. Entre as suas obras contam-se Close Connections; From the Auroral Darkness: The Life and Poetry of Robert E. Hayden; A Sense of History: The Poetry of John Hatcher; The Ocean of His Words: A Reader's Guide to the Art of Baha'u'llah; and The Purpose of Physical Reality; The Kingdom of Names.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Opinião de 'Abdu'l-Bahá sobre a Bíblia

Em Setembro de 1911, em Londres, ‘Abdu’l-Bahá falou pela primeira vez para uma audiência ocidental, no púlpito do City Temple. Posteriormente teve a oportunidade de escrever as seguintes palavras numa das Bíblias que era usada pelos pregadores daquela igreja.


sábado, 22 de julho de 2017

O propósito da Religião – Agora e Sempre

Por Behrooz Sabet.



Os ensinamentos Bahá'ís apresentam uma forma completamente nova para compreender a religião: a revelação progressiva.

As escrituras Bahá’ís identificam dois objectivos para a religião: construir uma relação espiritual perpétua entre Deus e a humanidade; e adaptar-se às exigências de cada era na história humana.

O primeiro objectivo - a relação perpétua entre Deus e a humanidade - impulsiona o processo de crescimento espiritual em que a humanidade, reconhecendo aquele que é objectivo de todo conhecimento, aprende a desenvolver as suas potencialidades internas. Este primeiro propósito da religião é universal e eterno no seu percurso e acumulativo no seu conteúdo.

O segundo objectivo da religião provoca mudanças e renova as condições sociais dentro do contexto de uma determinada cultura e no âmbito do conhecimento humano. Este objectivo da religião é relativo, temporário e sujeito a mudanças de acordo com as exigências do tempo e do lugar. As escrituras Bahá'ís explicam estes dois objectivos nestes breves textos:
As religiões divinas possuem dois tipos de mandamentos. Primeiro, há aqueles que constituem o essencial ou o espiritual. Essas são a fé em Deus, o adquirir de virtudes... Este é o aspecto fundamental da religião de Deus... Este é o fundamento essencial de todas as religiões divinas, a realidade em si, comum a todas... Em segundo lugar, existem leis e mandamentos que são temporárias e não-essenciais. Estas referem-se aos afazeres e relações humanas. São acidentais e sujeitos a mudanças de acordo com as exigências do tempo e do lugar. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 403)

O propósito de Deus ao enviar os Seus Profetas aos homens é duplo. O primeiro é libertar os filhos dos homens das trevas da ignorância e guiá-los à luz da verdadeira compreensão. O segundo é assegurar a paz e tranquilidade da humanidade, e fornecer todos os meios com os quais eles podem ser estabelecidos. (Gleanings from the Writings of Baha'u'llah, pp. 79-80)
Os dois propósitos da religião estão inter-relacionados e interligados. Cada nova revelação acrescenta mais conhecimento ao processo geral de crescimento espiritual da humanidade, que por sua vez cria um novo modelo para a organização da sociedade humana. Por exemplo, Bahá'u'lláh proclama que, neste dia, o princípio espiritual do amor encontrou um significado universal e um alcance mais amplo. Houve um tempo em que o amor à pátria era um elemento de espiritualidade; mas agora o amor à humanidade constitui a mais alta aspiração espiritual:
... não se deve vangloriar quem ama o seu país, mas quem ama o mundo. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, p. 95)
Consequentemente, como o significado do amor alarga o seu âmbito, a sua correspondente expressão social também precisa de um modelo universal. Nesse sentido, se o amor à pátria exigiu o modelo de Estados soberanos e a construção das nações, o amor ao mundo exige a unidade do planeta e o estabelecimento de uma ordem global.


Bahá'u'lláh ensinou que as grandes religiões mundiais, tal como as revelações do propósito de Deus para o desenvolvimento espiritual e o progresso social da humanidade, têm uma linha comum subjacente à sua natureza básica, valores e propósito; todas elas têm origem divina e juntas constituem uma religião permanente. As revelações sucessivas representam um processo progressivo semelhante aos passos sequenciais de aprendizagem. Na verdade, as escrituras Bahá'ís usam os termos "professor" e "educador" para referir os Profetas e os Manifestantes de Deus e enfatizam que não há diferenças de estatuto entre os Manifestantes de Deus. Diferenças nas afirmações dos vários mensageiros reflectem apenas diversos níveis da maturidade espiritual dos povos de diferentes época, e diferentes exigências do tempo em que a revelação ocorreu:
Atribuímos duas condições a cada um dos Luminares que Se elevam nas Alvoradas da santidade eterna. Uma dessas condições, a condição da unidade essencial, já a explicamos. "Nenhuma distinção fazemos entre qualquer um deles." A outra é a condição da distinção, e pertence ao mundo da criação e às suas limitações. Neste aspecto, cada Manifestante de Deus tem uma individualidade distinta, uma missão definitivamente prescrita, uma Revelação predestinada e limitações especialmente designadas. Cada um deles é conhecido por um nome diferente, é caracterizado por um atributo especial, cumpre uma Missão precisa e é-Lhe confiada uma Revelação particular. (Baha'u'llah, O Livro da Certeza, parag. 171)

É claro e evidente para ti que todos os Profetas são os Templos da Causa de Deus, Que surgem vestidos com diferentes trajes. Se observares com olhos que discernem, contemplá-los-ás habitando no mesmo tabernáculo, voando no mesmo céu, sentados no mesmo trono, proferindo o mesmo discurso e proclamando a mesma Fé. Assim é a unidade dessas Essências do ser, aqueles Luminares de esplendor infinito e imensurável. Portanto, se um desses Manifestantes da Santidade proclamar: "Eu sou o regresso de todos os Profetas", Ele, de facto, fala a verdade. (Idem, parag. 162)

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Texto original: The Purpose of Religion—Now and Forever (www.bahaiteachings.org)

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Behrooz Sabet é professor universitário, doutorado pela State University de Nova Iorque, em Buffalo. Durante mais de 20 anos fez estudos e investigações sobre os cruzamentos entre religião, ciência e cultura no Médio Oriente. É um estudioso de religião, movimentos e pensamento político contemporâneo no Irão. Traduziu e escreveu muito sobre religião, ética, educação, filosofia e temas sociais.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Irão: Pelo menos 11 lojas pertencentes a Bahá’´s encerradas em Ahvaz

Ignorando um veredicto recente do Gabinete Administrativo de Justiça, as autoridades na cidade de Ahvaz encerraram  e selaram as lojas e empresas de pelo menos 11 Bahá'ís, que fecharam os seus negócios em observação de um feriado religioso (entre 8 e 10 de Julho).

De acordo com a lei, os cidadãos podem fechar o estabelecimento comercial até 15 dias por ano, sem qualquer razão específica ou específica. No entanto, esta lei não parece ser aplicável aos cidadãos Bahá'ís. Sempre que os Bahá'ís fecham os seus estabelecimentos ou empresas para observar os seus feriados religiosos em que o trabalho deve ser suspenso, as autoridades são rápidas a actuar e a selar as empresas.

Segundo o HRANA (Human Rights Activists News Agency), a notificação de encerramento oficial declarava que "este encerramento foi ordenado pela Autoridade Judicial (Ministério Público-Adjunto) e será realizado pelas forças de segurança".

Recentemente, o Gabinete Administrativo de Justiça emitiu um veredicto favorável aos cidadãos Bahá'ís de Mazandaran, cujos estabelecimentos e empresas tinham sido encerrados de forma similar, afirmando tinha sido ignorado que o direito legal desses cidadãos de fechar os seus estabelecimentos até 15 dias por ano.

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FONTE: Closure of at Least 11 Baha’i-Owned Businesses in Ahvaz (IPW)

sábado, 15 de julho de 2017

Os Bahá’ís são pacifistas?

Por David Langness.


Pacifismo (nome masculino): 1. atitude de quem rejeita e condena qualquer forma de violência; 2. doutrina que defende o desarmamento das nações e que advoga a resolução dos conflitos internacionais por meios pacíficos
O texto anterior desta série terminou com uma importante citação do Livro Mais Sagrado de Bahá'u'lláh sobre o acto de matar:
... que nenhuma alma mate outra; isto, na verdade, é o que vos foi proibido num Livro que esteve oculto no Tabernáculo da glória. O quê! Mataríeis aquele que Deus ressuscitou, a quem Ele dotou de espírito através de um sopro Seu? Severa, pois, seria a vossa transgressão perante o Seu trono! Temei a Deus, e não levanteis a mão da injustiça e da opressão para destruir o que Ele próprio ressuscitou; pelo contrário, andai no caminho de Deus, o Verdadeiro. (The Most Holy Book, p. 45)
Considerando esta proibição clara como água no livro Bahá’í das leis, como é que os Bahá’ís vêem a autodefesa, a guerra e toda a questão da pena de morte? Mais especificamente, como é que o Livro Mais Sagrado de Bahá’u’lláh, que também permite a aplicação da pena capital para certos crimes, lida com a aparente contradição interna entre essas duas importantes leis sobre o acto de pôr termo a uma vida humana?

Seguramente, este assunto profundo daria facilmente para escrever muitos livros.

Para entender esses princípios, temos de os colocar no contexto de todo o corpo das leis Bahá’ís, que não exige um pacifismo estrito da parte da própria sociedade. Por um lado, os Bahá’ís acreditam que os indivíduos nunca devem prejudicar ou matar outros. De facto, Bahá'u'lláh diz que dar a própria vida é preferível a tirar a vida de outra pessoa:
... prestar auxílio a Deus, neste dia, não consiste nem consistirá, em confrontar ou disputar com qualquer alma; pelo contrário, o que é preferível aos olhos de Deus é que as cidades dos corações dos homens, que são governadas pelas hostes do ego e da paixão, sejam subjugadas pela espada da palavra, da sabedoria e do entendimento. Assim, quem procura ajudar a Deus deve, antes de tudo, conquistar, com a espada da explicação e do significado interior, a cidade do seu próprio coração e protege-la contra a lembrança de tudo salvo Deus, e só então partir para subjugar as cidades dos corações dos outros.

Esse é o verdadeiro significado de prestar auxílio a Deus. A sedição nunca foi agradável a Deus, nem os actos cometidos no passado por certos loucos foram aceitáveis aos Seus olhos. Sabei que ser morto no caminho da Sua complacência é melhor para vós do que matar. (The Summons of the Lord of Hosts, pp. 109-110)
Por outro lado, os Bahá’ís também acreditam que a sociedade, como um todo, tem o direito de usar a força para se defender e proteger:
Os Bahá’ís reconhecem o direito e o dever dos governos a usar a força para a manutenção da lei e da ordem e para proteger o seu povo. Assim, para um Bahá’í, o derramamento de sangue com essa finalidade não é necessariamente um erro essencial. A Fé Bahá’í estabelece uma distinção muito clara entre o dever de um indivíduo de perdoar e "ser morto em vez de matar" e o dever da sociedade de defender a justiça... Na actual condição do mundo, os Bahá’ís tentam manter-se fora dos conflitos mortíferos que assolam os seus semelhantes e evitam derramar sangue em lutas, mas isso não significa que sejamos pacifistas absolutos. (A Casa Universal de Justiça, 9 de Fevereiro de 1967)
Assim, numa perspectiva Bahá’í, as sociedades têm a opção, em circunstâncias terríveis, de usar a força defensiva:
É verdade que os Bahá’ís não são pacifistas, pois defendemos o uso da força ao serviço da justiça e da defesa da lei. Mas não acreditamos que a guerra seja muito necessária; a sua abolição é um dos propósitos essenciais e promessas mais brilhantes da Revelação de Bahá'u'lláh. O seu mandamento específico aos reis da terra é: “Se algum de vós pegar em armas contra outro, levantai-vos todos contra ele, pois isso não é nada senão justiça manifesta”. (Tablet to Queen Victoria, The Proclamation of Baha'u’lláh, 13) O amado Guardião explicou que a unidade da humanidade implica o estabelecimento de uma comunidade mundial, um sistema federal mundial, "... livre da maldição da guerra e das suas misérias... em que a Força se torna serva de Justiça..." cujo executivo mundial "apoiado por uma Força internacional... salvaguardará a unidade orgânica de toda a comunidade". Obviamente isso não é guerra, mas a manutenção da lei e da ordem à escala mundial. A guerra é a tragédia final da desunião entre as nações, onde não existe qualquer autoridade internacional suficientemente poderosa para as impedir de perseguir os seus próprios interesses limitados. Os Bahá'ís pedem, portanto, para servir os seus países de uma maneira não-combatente durante esses conflitos; eles servirão, sem dúvida, numa tal Força internacional como Bahá'u'lláh antevê, quando esta surgir. (De uma carta escrita em nome da Casa Universal de Justiça, 11 de Setembro de 1984)
Da mesma forma, as pessoas quando são atacadas têm o direito à autodefesa, desde que essa autodefesa não degenere em retaliação:
... um Bahá’í não deve se render, mas deve tentar, na medida do possível, defender-se e, mais tarde, apresentar uma queixa às autoridades governamentais. (A Casa Universal de Justiça, 26 de Maio de 1969)
Isto significa, tendo em conta o princípio do direito de uma sociedade a proteger-se, que pode, em casos extremos, executar um criminoso perigoso:
Um indivíduo não tem o direito de procurar vingança, mas o corpo político tem o direito de punir o criminoso. Essa punição tem o objectivo de dissuadir e impedir outros de cometerem crimes semelhantes. É para a protecção dos direitos do homem...

Mas o corpo político tem o direito de preservar e proteger. Não guarda rancor e nem nutre inimizade para com o assassino, mas escolhe prendê-lo ou puni-lo apenas para garantir a protecção dos outros. (‘Abdu'l-Baha, Some Answered Questions, newly revised edition, pp. 309-310)
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Texto original: Let No Soul Slay Another: are Baha’is Pacifists? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 9 de julho de 2017

Dr. William Cormick, o médico que tratou o Báb


Durante o seu cativeiro final, o Báb ficou ferido (mais do que o pretendido) ao ser espancado pelos guardas. Talvez porque os seus ferimentos eram visíveis para todos, as autoridades chamaram o melhor médico da região, o Dr. William Cormick, para O tratar. O relato do Dr. Cormick sobre os seus encontros com o Báb agora é parte da história Bábí-Bahá'í.

Cormick geralmente é descrito (não muito correctamente) como "um médico ocidental" ou "o único ocidental que conheceu o Báb" ou (incorrectamente) como "um médico inglês". Cormick nasceu em Tabriz, filho do Dr. John Cormick, do condado de Kilkenny, na Irlanda. E sua esposa era uma persa cristã. O Dr. John Cormick estabeleceu um consultório médico bem-sucedido e enviou o seu filho William para a Europa para ser educado e formado em medicina. Concluiu os seus estudos de medicina na Universidade de St. Andrews na Escócia, e depois regressou a Tabriz, onde trabalhou como médico.

Em 1850, o Dr. William Cormick estava apenas em Tabriz como resultado da política. Tinha sido médico do Príncipe Herdeiro da Pérsia, Nasir'd-Din Mirza e esperava-se que fosse com ele para Teerão como médico da corte quando o príncipe se tornou Shah em 1850. No entanto, esta deslocação impedida por motivos políticos e ele ficou em Tabriz, onde prosperou a exercer medicina; ficou rico e recebeu várias honras oficiais.

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Sobre este assunto:
-- The man who met the Báb
-- CORMICK, WILLIAM (Encyclopedia Iranica) 
-- Dr William Cormick
-- Dr. Cormick's Accounts of his Personal Impressions of Mirza 'Ali Muhammad, The Báb